Curiosidades

Tribunal - Kris Romani

Além da família extensa, há entre os rom um conjunto de várias famílias( não necessariamente unidas entre si por laços de parentesco) mas todas pertencentes ao mesmo grupo e ao mesmo subgrupo. O nômade por sua própria natureza não suporta a presença de um chefe: se tal figura não existe entre Sintos e Rom, deve-se reconhecer o respeito existente com os mais velhos, aos quais sempre recorrem. Entre os Rom a máxima autoridade judiciária é constituída pelo kris romani. A kris romani é um verdadeiro tribunal cigano, constituído pelos membros mais velhos do grupo e se reúne em casos especiais, quando se deve resolver problemas delicados como controvérsias matrimoniais ou ações cometidas com danos para membros do mesmo grupo. Na kris podem participar também as mulheres,(o que não muito comum), que são admitidas para falar, e a decisão unilateral cabe aos membros anciães designados, que após haver escutado as partes litigantes, decidem, depois de uma definição, a punição será aplicada àquele que não tiver razão, conforme a decisão dos anciões. Recentemente, a controvérsia se resolve ,em geral, com o pagamento de uma soma proporcional ao tamanho da culpa, que pode chegar ao pagamento em moedas de ouro; no passado, se a culpa era particularmente grave, a punição podia consistir no afastamento do grupo ou, às vezes, em penas corporais.

Casamento - Abial Romano
Desde pequenas, as meninas ciganas costumam ser prometidas em casamento. Os acertos normalmente são feitos pelos pais dos noivos, que decidem unir suas famílias. O casamento é uma das tradições mais preservadas entre os ciganos, representa a continuidade da raça, por isso o casamento com os não ciganos não é permitido em hipótese alguma. Caso isso venha a ocorrer, não que a pessoa seja excluída, mas não é de bom grado esse tipo de casamento Contudo, há tempos pretéritos, na ocorrência dessa atitude, a exclusão do grupo era a punição. É pelo casamento que os ciganos entram no mundo dos adultos. Os noivos não podem Ter nenhum tipo de intimidade antes do casamento. Quando o casamento acontece,a comemoração se dá em dois dias, tendo o primeiro dia o seguinte significado: a pureza, a virgindade da noiva; no segundo dia de comemoração significa a quebra do hímem da noiva, sendo a maior alegria do pai da noiva, significando que ele cuidou de sua filha conforme os costumes ciganos. A grande maioria dos ciganos no Brasil, exigem a virgindade da noiva. A noiva deve comprovar a virgindade através da mancha de sangue do lençol que é mostrada a todos no dia seguinte. Caso a noiva não seja virgem, ela pode ser devolvida para os pais e esses terão que pagar uma indenização para os pais do noivo. No caso da noiva ser virgem, na manhã seguinte do casamento ela se veste com uma roupa tradicional colorida e um lenço na cabeça, simbolizando que é uma mulher casada. A noiva é paga aos pais em moedas de ouro, a quantidade é definida pelo pai da noiva.
Morte - Mulô
Os ciganos acreditam na vida após a morte e seguem todos os rituais para aliviar a dor de seus antepassados que partiram. Costumam colocar no caixão da pessoa morta uma moeda para que ela possa pagar o canoeiro a travessia do grande rio que separa a vida da morte. No que se refere à morte, o luto pelo desaparecimento de um companheiro dura em geral muito tempo. Entre os ritos fúnebres praticados pelos Rom está a pomána, banquete fúnebre no qual se celebra o aniversário da morte de uma pessoa. A abundância do alimento e das bebidas exprimem o desejo de paz e felicidade para o defunto. É feita a pomaná no terceiro dia, do quadragésimo primeiro dia, seis meses e um ano do aniversário da morte do falecido. Os ciganos costumam fazer oferendas aos seus antepassados também nos túmulos
Música & Dança

Quando os ciganos deixaram o Egito e a Índia, eles passaram pela Pérsia, Turquia, Armênia, chegando até a Grécia, onde permaneceram por vários séculos antes de se espalharem pelo resto da Europa. A influência trazida do oriente é muito forte na música e na dança cigana. A música e a dança cigana possuem influência hindu, húngaro, russo, árabe e espanhol. Mas a maior influência na música e na dança cigana dos últimos séculos é sem dúvida espanhola, refletida no ritmo dos ciganos espanhóis que criaram um novo estilo baseado no flamenco. Alguns grupos de ciganos no Brasil conservam a tradicional música e dança cigana húngara, um reflexo da música do leste europeu com toda influência do violino, que é o mais tradicional símbolo da música cigana. Liszt e Beethoven buscaram na música cigana inspiração para muitas de suas obras. Tanto a música como a dança cigana sempre exerceram fascínio sobre grandes compositores, pintores e cineastas. Há exemplos na literatura, na poesia e na música de Bizet, Manuel de Falla e Carlos Saura que mostram nas suas obras muito do mistério que envolve a arte, a cultura e a trajetória desse povo. No Brasil, a música mais tocada e dançada pelos ciganos é a música Kaldarash, própria para dançar com acompanhamento de ritmo das mãos e dos pés e sons emitidos sem significação para efeito de acompanhamento. Essa música é repetida várias vezes enquanto as moças ciganas dançam.

Liberdade

Quando se trata de comportamento, os ciganos são muito rígidos. Mas, na forma de viver, a palavra ordem é ser livre, “Nossa liberdade é a natureza, nela não existem muralhas para tirar nossa visão do campo aberto, podemos ter contato com o solo, respirar o verde, sentir a brisa do vento, receber a força dos raios solares, contemplar a Lua, o brilho das estrelas e tudo o mais que ela possa nos oferecer,” diz Jordana Aristicth, no livro Ciganos – Verdade Sobre Nossas Tradições. Os ciganos preservam e usam muito os quatro elementos fundamentais da natureza – Terra, Fogo, Água e Ar – nos seus rituais. Para eles, o Fogo é muito importante, porque queima a negatividade e ilumina a positividade. Um objeto que concentra os quatro elementos e que é muito usado por este povo é a vela. A Água e a Terra são representadas pela cera e o pavio. O Fogo é a chama e o Ar (oxigênio) a mantém viva (acesa)

Santa Sara

No sul da França, entre os rios Grande Ródano e Pequeno Ródano, situa-se a planice dos alagados de Camarga. Camarga, tornou-se célebre pelas festas que acontecem na cidade de LES-SAINTES-MARIES-DE-LA-MER, pelo seu caráter religioso e Pelegrino. Santa Maria Jacobe, Santa Maria Salomé e Santa Sara Kalí (a padroeira dos ciganos), faziam parte de um grupo de apóstolos de CRISTO, que desembarcaram na região. Após construírem um pequeno oratório dedicado à Virgem, os discípulos de CRISTO separaram-se, permanecendo em Camarga as três Santas. Atualmente, as relíquias da Santas: Sara, Maria Jacobe e Maria Salomé, encontram-se na capela alta da Igreja de SAINTES-MARIES-DE-LA-MER; uma construção erguida desde o século IX, no antigo local do oratório dos discípulos. A cripta de Santa Sara Kalí, em Camarga, na província de Lanquedoc, no sul de França, é visitada por ciganos de todas as partes do mundo. A cripta da Santa, encontra-se no subterrâneo, local onde ela é cultuada por ciganos. No local são cumpridas promessas, feitas à Santa Sara Kalí. As mulheres ciganas, confeccionam saias, com as quais vestem a imagem da Santa. Milhares de velas acesas, são oferecidas à Santa. Em conseqüência disto, o calor torna-se intenso, não sendo possível às pessoas, permanecerem muito tempo no local. O gás carbônico liberado pela queima das velas, tornou a imagem da Santa Sara Kalí, escura. Devido a este fato, houve uma modificação na crença da cor da pele da Santa. Durante a Santa Inquisição, os ciganos eram considerados bruxos e eram marginalizados pela igreja. Maria Madalena (prima de Santa Sara Kalí), até a data de hoje, não é cultuada pela igreja, sendo reconhecida a sua Santidade pela BÍBLIA. Para que Santa Sara Kalí fosse santificada pela igreja católica, foi preciso trocar sua origem cigana, para de escrava egípcia. Atualmente, os ciganos não são mais marginalizados pela igreja católica, tendo dito o Santo Papa João Paulo II, em mensagem dirigida a um grupo de ciganos, em Roma, no ano de 1992: "A Europa deve pedir perdão aos ciganos, para apagar as injustiças que mancharam, com muita freqüência, sua história secular. " Os ciganos de origem Calon, com o passar dos anos, alteraram algumas palavras da língua regional do povo cigano. Devido a estas alterações, houve algumas modificações idiomáticas no significado das palavras. Entre elas, podemos citar a palavra Kalín, que em Calon representa a palavra a cigana. Já para os ciganos que ainda preservam a língua regional, Kalí representa negra. Há algum tempo, existe esta confusão idiomática, envolvendo a cor da pele da Santa. Para os Calons, seria Santa Sara Kalín (a cigana) e não Santa Sara - a negra. Os dias 24 e 25 de maio, são consagrados ao culto da Santa. Para os ciganos, a peregrinação festiva até Camarga, para a adoração da Santa Sara, é uma tradição sagrada e secular. Uma semana antes da festa, numerosas clãs e grupos ciganos, vindos de todas as partes do mundo, chegam à região para a procissão. Após desfilar pelas ruas da cidade, levam a imagem de Santa Sara, mar a dentro, no local onde acredita-se, que a Santa tenha desembarcado. Para preservar a história original de Santa Sara Kalín, é necessário lembrar que a igreja católica , santificou-a como SANTA e, que é dessa forma que o povo cigano a cultua (e, não, em rituais)

Liberdade (poesia)
Nós Ciganos só temos uma religião: a liberdade. Em troca dela renunciamos à riqueza, ao poder, à ciência e à sua glória. Vivemos cada dia como se fosse o último. Quando se morre, se deixa tudo: um miserável carroção ou um grande império. E nós cremos que naquele momento é muito melhor termos sido Ciganos do que reis. Não pensamos na morte. Não a tememos, eis tudo. O nosso segrêdo está em gozar a cada dia as pequenas coisas que a vida nos oferece e que os outros homens não sabem apreciar: uma manhã de sol, um banho na nascente, o olhar de alguém que nos ama. É difícil entender estas coisas, eu sei. Ciganos se nasce. Gostamos de caminhar sob as estrelas. Contam-se coisas estranhas sobre os Ciganos. Dizem que leem o futuro nas estrelas e que possuem o filtro do amor. As pessoas não creem nas coisas que não sabem explicar. Nós, ao contrário, não procuramos explicar as coisas nas quais cremos. A nossa é uma vida simples, primitiva. Basta-nos ter o céu por telhado, um fogo para nos aquecer e as nossas canções, quando estamos tristes.
Hino Cigano
Dgelem, Dgelem lungone dromentsa
Maladjilem bhartalé romentsa
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Naís tumengue shavale
Patshiv dan man romale
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Vi mande sas romni ay shukar shavê
Mudarde mura família
Lê katany ande kale
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Shinde muro ilô
Pagerde mury luma
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Opré Romá
Aven putras nevo dromoro
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Tradução para o português:
Caminhei, caminhei longas estradas
Encontrei-me com romá (ciganos) de sorte
Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos
Obrigado rapazes ciganos
Pela festa louvor que me dão
Eu também tive mulher e filhos bonitos
Mataram minha família
Os soldados de uniforme preto
Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos
Cortaram meu coração
Destruíram meu mundo
Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos
Pra cima Romá (Ciganos)
Avante vamos abrir novos caminhos
Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos!!!
Famílias